ALTERNATIVAS PARA A PAZ, RECONCILIAÇÃO E ESTABILIDADE PÓS-ELEIÇÕES NOS ESTADOS AFRICANOS: O EXEMPLO DE MOÇAMBIQUE
Autor: Sérgio dos Céus Nelson[1]
As eleições em muitos estados
africanos, embora representem marcos importantes no fortalecimento das
democracias, são frequentemente acompanhadas por tensões políticas, conflitos
sociais e episódios de violência. Tal cenário é reflexo de contextos marcados
por divisões étnicas, desigualdades socioeconómicas, desconfiança nas
instituições e heranças coloniais que moldaram fronteiras e relações de poder. Destarte,
a construção da paz pós-eleitoral, portanto, exige abordagens abrangentes e
adaptadas às realidades locais, conforme o Académico Régio Conrado explicava
num debate eleitoral, promovido pela TVM (2024).
Vários são os desafios pós-eleitorais
nos países africanos, maioritariamente controlados por partidos libertadores.
Dos desafios mencionáveis, podemos destacar a polarização étnica e regional, o
que significa que em muitos países africanos, as eleições são percebidas como
disputas entre grupos étnicos ou regiões, ao invés de debates políticos sobre
políticas públicas. Isso alimenta rivalidades históricas e aprofunda divisões
que desconfiguram os ideais de nações unificadas. Por outro lado nota-se, em
grande medida, aspectos referentes à fraqueza institucional, caracterizada pela
falta de confiança em órgãos eleitorais, judiciários e outras instituições, o
que contribui para que derrotas eleitorais sejam interpretadas como fraudes,
levando a protestos e violência, acções que temos estado a vivenciar particularmente
em Moçambique, com gente tomando dianteira de saques, destruição de bens
públicos e privados, sob o pretexto de insatisfação eleitoral.
Os debates socialmente notados
mencionam a desigualdade económica como dos elementos que justificam estas
épocas que o Moçambique vive. Justifica-se que a exclusão económica de
determinados grupos cria ressentimentos que se manifestam durante e após o
período eleitoral, exacerbando conflitos.
Por outro lado, mostra-se
imperioso destacar a intervenção de actores externos, visto que os interesses
geopolíticos de potências estrangeiras podem amplificar tensões locais, dificultando
soluções pacíficas em Moçambique, em particular.
Conforme explicava previamente,
os conflitos pós-eleitorais são desafios recorrentes em democracias,
especialmente em contextos marcados por polarização política, desigualdades
sociais e desconfiança nas instituições. Após o término de um processo
eleitoral acirrado, é essencial promover iniciativas que favoreçam a
reconciliação, o fortalecimento do tecido social e a estabilidade política.
Nesse contexto, a construção da paz não é apenas um objectivo imediato, mas um
processo contínuo que exige esforços colectivos, lideranças comprometidas e
instituições robustas.
Os conflitos que emergem após
eleições podem assumir formas variadas, como protestos, violência política,
discursos de ódio ou disputas judiciais. Eles frequentemente refletem não apenas
insatisfações com os resultados eleitorais, mas também tensões sociais mais
amplas, como desigualdades económicas, exclusão política e polarização
ideológica. A resolução desses conflitos requer abordagens que vão além de
soluções pontuais, envolvendo a construção de pontes entre diferentes grupos e
o fortalecimento de uma cultura política baseada no diálogo e na
tolerância.
Nestes contextos, quer me
parecer oportuno debater sobre os pilares da unidade nacional - um princípio
fundamental para a estabilidade e o desenvolvimento de qualquer país. Ela
transcende as diferenças individuais e regionais, promovendo uma identidade
colectiva capaz de enfrentar os desafios de uma nação. Nesse sentido, a unidade
não é apenas um ideal, mas uma necessidade estratégica para a construção de um
futuro próspero e harmônico.
Urge que os moçambicanos
perceberem que a unidade nacional é vital para a superação de crises, pois é a
coesão de um povo que permite encontrar soluções comuns para os problemas. O
filósofo e sociólogo francês Émile Durkheim, em sua obra “A Divisão do Trabalho
Social”, enfatiza que a solidariedade é um factor crucial para a união de uma
sociedade, dizendo que “a coesão social é o cimento que une as partes de uma
sociedade complexa”. Assim, a unidade nacional não se dá por meio da eliminação
das diferenças, mas pelo reconhecimento e respeito a elas, em uma busca
constante pela harmonia entre todos os cidadãos.
Em momentos de divisão ou crise
política, como os vividos por todos nós (os moçambicanos), o chamado à unidade
nacional torna-se ainda mais relevante. Como alertou o Presidente Abraham
Lincoln durante a Guerra Civil dos Estados Unidos, "a nação, com a ajuda
de Deus, deve ter uma nova consagração à liberdade e à unidade". Essa
visão nos ensina que a unidade não deve ser vista como uma utopia, mas como um
compromisso contínuo e renovado com os ideais que sustentam a nação.
Em muitos casos, a crise
eleitoral começa com a insatisfação de um ou mais grupos em relação ao
resultado das eleições. Essa insatisfação pode ser exacerbada por uma cultura
política polarizada, onde as diferenças ideológicas se tornam extremas,
dificultando o reconhecimento do processo democrático como legítimo. No
contexto actual, com o avanço das redes sociais, desinformação e fake news, as crises eleitorais tendem a
ser mais visíveis e, em muitos casos, mais intensas, dado que as notícias
falsas podem gerar um ambiente de insegurança e desconfiança.
Outro factor que considero crucial
na vigente crise eleitoral é a questão da confiança nas instituições
democráticas, como o Conselho Constitucional e as autoridades responsáveis pela
organização e fiscalização das eleições. Quando há um rompimento entre os
cidadãos e essas instituições, pode-se criar um clima de incerteza que ameaça a
estabilidade política de um país. Aliás, gosto do debate levantado pelo
Académico Josué Bila, quando olha para a política como element resultante de
uma construção social.
Assim como vivenciamos as acções
drásticas, como protestos, manifestações, ou até a intensão (ainda que exígua)
de um golpe de Estado, uma crise eleitoral não é apenas uma questão de contagem
de votos ou falhas no sistema de votação, mas envolve também uma série de factores
políticos, sociais e culturais que refletem a saúde da democracia em um país
como o nosso. A forma como decidirmos gerir estas crises pode determinar o
futuro político da nossa nação, pois uma solução eficaz pode restaurar a
confiança no sistema eleitoral, enquanto uma gestão inadequada pode agravar
ainda mais a polarização e comprometer a estabilidade política.
Se olharmos para os conflitos,
na lógica da segurança no período das eleições, uma análise sociopolítica e
antropológica pode ser essencia, porquanto, o período eleitoral é um momento de
intensa mobilização social, onde disputas políticas e tensões sociais emergem
com maior visibilidade. É, na verdade, uma fase marcada por uma dualidade:
enquanto simboliza a celebração democrática e o exercício da cidadania, também
pode desencadear conflitos que colocam em xeque a estabilidade social e a
segurança pública. Do ponto de vista antropológico, esses conflitos não são
apenas incidentes isolados, mas reflexos de desigualdades estruturais, divisões
culturais e tensões históricas que permeiam a sociedade moçambicana.
A segurança durante as eleições
envolve tanto a protecção física de eleitores, candidatos e instituições quanto
a garantia de um ambiente pacífico para o exercício do voto. Porém, em muitos
contextos, desafios como violência política, intimidação de eleitores e
manipulação do processo eleitoral comprometem essa segurança. Vimos cenários nas zonas de Hulene, Machava,
Rapale, Pemba, Namialo, Chibuto, Maxixe, Quelimane, Marromeu e outras partes do
País, nas quais cidadãos diziam-se fatigados pelo decorrer dos processos.
Quer me parecer fundamental
explicar que nesta perspectiva antropológica são tidos como violência política os
assassinatos, ameaças e ataques direccionados a candidatos e seus apoiantes -
uma realidade ainda vívida no nosso contexto, no qual a casa do Presidente do
Município em Macia foi invadida e ele viu-se na urgência de derrubar o murro
para escaper da fúria popular. Por outro lado, vemos centenas de moçambicanos
mortos, violentados por causa do uso desproporcional da força, por parte das FDS.
Esses actos, além de atentarem contra a vida, minam a confiança nas
instituições democráticas.
É urgente que se perceba que em
áreas onde grupos armados ou forças locais têm influência, eleitores podem ser
coagidos a votar em determinados candidatos, comprometendo a liberdade de escolha
– refiro-me, certamente, a intimidação e um possível controle social. Na mesma
lógica, se tivermos que analisar os protestos e repressão, podemos afirmar que
os movimentos sociais e manifestações são comuns durante o período eleitoral,
especialmente em contextos de descrença no sistema político. A resposta
estatal, por vezes violenta, pode agravar os conflitos e gerar violações de
direitos humanos.
NOTA
FUNDAMENTAL: Do ponto de vista antropológico, as eleições
são mais do que um processo político; elas também funcionam como um ritual colectivo
que reforça ou desafia a ordem social. Ou seja, a segurança nesse contexto não
se limita ao controle de conflitos, mas envolve a protecção do próprio ritual
democrático, assegurando que ele seja percebido como legítimo e inclusivo. Num outro prisma, a violência ou os conflitos
podem ser entendidos como formas de contestação ao status quo, um meio de
grupos marginalizados ou insatisfeitos expressarem sua exclusão do pacto social
representado pelas eleições. Nesse sentido, o conflito pode ser visto não
apenas como uma ameaça à segurança, mas também como uma demanda por
reconhecimento e justiça social.
Face ao dito previamente, creio
que podemos afirmar que existem caminhos para reduzir conflitos e promover a
segurança em Moçambique. Tais caminhos passam pela educação política (promover
o diálogo e combater a desinformação - estratégias fundamentais para reduzir a
polarização), fortalecimento institucional (sistemas eleitorais transparentes e
confiáveis ajudam a mitigar suspeitas de fraude e conflitos associados),
mediação de conflitos (investir em mecanismos de mediação e diálogo entre
grupos divergentes pode prevenir a escalada de tensões), assim como a proteção
dos direitos humanos (assegurar que as forças de segurança se comportem de
forma proporcional e respeitem os direitos fundamentais, para evitar a
repressão excessive).
Podemos firmemente afirmar que
os conflitos e as questões de segurança no período eleitoral são reflexos das
complexidades sociais, políticas e culturais de uma sociedade. Eles expõem as
fragilidades do sistema democrático, mas também podem ser entendidos como
oportunidades para fortalecer o diálogo, promover reformas estruturais e
reafirmar o compromisso com a justiça e a igualdade. Sob uma perspectiva
antropológica, compreender as raízes desses conflitos é essencial para
construir um processo eleitoral mais inclusivo e pacífico, capaz de reflectir
as aspirações de todos os segmentos da sociedade.
Sob o prisma da sociologia
política, tendo em conta as relações de poder e participação, é possível
olharmos para esta fase como um momento privilegiado para a análise da
sociologia política, pois representa a convergência entre práticas
democráticas, disputas de poder e mobilização social. Eleições são, ao mesmo
tempo, rituais que legitimam as instituições políticas e arenas de conflito,
onde diferentes grupos sociais buscam afirmar seus interesses, valores e visões
de mundo. Nesta lógica, o processo eleitoral não se limita ao acto de votar,
mas abrange uma complexa rede de interacções entre Estado, sociedade civil, media
e economia. Ademais, a sociologia
política entende o período eleitoral como um campo de disputa pelo poder
simbólico e material. O voto, nesse contexto, é uma expressão da capacidade dos
cidadãos de influenciar o curso das decisões políticas. Contudo, o acesso ao
poder político não é distribuído de maneira equitativa, sendo moldado por factores
como classe social, raça, gênero, religião e localização geográfica.
Um dado interessante, que se
pode frisar neste sufrágio, tem que ver com o facto de os grupos dominantes
utilizarem as eleições para consolidar sua hegemonia, enquanto grupos
marginalizados enxergam nelas uma oportunidade de contestação e transformação.
A disputa eleitoral, portanto, reflete tanto as estruturas de dominação quanto
as possibilidades de emancipação dentro de uma sociedade. No entanto, a
participação política não ocorre de maneira homogênea. Factores como
escolaridade, renda e pertencimento a grupos minoritários influenciam o nível
de engajamento político. Além disso, as redes sociais emergiram como uma nova
esfera pública, permitindo a organização de movimentos descentralizados, mas
também intensificando a polarização e a disseminação de desinformação.
Em sociedades polarizadas, como
se pode dizer do nosso Moçambique, as eleições podem exacerbar divisões,
dificultando a formação de consensos e o diálogo entre grupos adversários.
Talvez tenhamos falhado por não compreender fielmente que as instituições
políticas desempenham um papel central no período eleitoral, garantindo a
legalidade e a legitimidade do processo. Do ponto de vista sociológico, o
Estado é visto como uma estrutura que regula os conflitos sociais, mas que
também pode ser questionado por sua parcialidade ou ineficiência. Assim sendo, os sistemas eleitorais justos e
transparentes são essenciais para a manutenção da ordem democrática. Contudo,
quando há suspeitas de fraude ou manipulação, a confiança nas instituições é
abalada, levando a crises de legitimidade que podem desencadear protestos e
desobediência civil, conforme vivenciamos.
Antes de seguir para o término
do meu pacato raciocínio, parece-me essencial afirmar que após as eleições, é
comum que os movimentos sociais se intensifiquem, independentemente do
resultado eleitoral. Aqueles que se sentem representados pelo governo eleito
podem organizar mobilizações para reforçar suas pautas e garantir que suas
demandas sejam incluídas na agenda política. Por outro lado, grupos
insatisfeitos podem frequentemente se engajar em manifestações, buscando
expressar sua discordância e resistir a mudanças percebidas como ameaçadoras
aos seus interesses ou identidades.
Os movimentos sociais
pós-eleitorais frequentemente utilizam práticas e símbolos que conectam seus
participantes a narrativas históricas ou culturais mais amplas. Bandeiras,
cânticos, performances e até ocupações de espaços públicos são estratégias para
tornar visível a causa defendida. Esses elementos carregam significados que
transcendem o evento em si, remetendo a memórias colectivas, lutas passadas e
projecções de futuros desejados. Do ponto de vista antropológico, tais práticas
revelam a capacidade dos grupos sociais de reinterpretar o passado e moldar o
presente, não sendo apenas acções estratégicas, mas também rituais de
pertencimento e reafirmação identitária.
No meio deste debate, quer me
parecer oportuno debater sobre os pilares da paz e da reocntrução social em
Moçambique. Para tal, precisamos compreender que a paz é, sem dúvida, um dos
conceitos mais profundos e ambíguos da filosofia. Para alguns, ela é o estado
natural da humanidade, um desejo inerente ao ser humano que busca a harmonia e
a serenidade tanto dentro de si quanto nas relações com os outros. Para outros,
a paz é uma construção complexa, que exige esforço constante, não apenas nas
esferas externas, mas também em nosso mundo interior.
A paz externa, entendida como a
ausência de guerra ou conflito, é frequentemente vista como a condição ideal
para o progresso humano. No entanto, tal paz pode ser frágil e superficial,
pois não garante, por si só, a eliminação das desigualdades, das injustiças ou
dos ressentimentos. A verdadeira paz, talvez, resida não na quietude das armas,
mas na capacidade das sociedades e dos indivíduos de cultivar relações baseadas
no respeito mútuo, na compreensão e na equidade. Nesse sentido, a paz não seria
algo que se conquista de uma vez por todas, mas uma prática diária que exige
reflexão constante sobre os valores que orientam nossas acções.
Em sua obra A República, Platão
sugere que a paz verdadeira só poderia ser alcançada em uma sociedade justa,
onde a harmonia entre os diferentes elementos da cidade reflete a harmonia
interior de cada indivíduo. Para ele, a paz não é apenas a ausência de
discórdia, mas a presença do bem comum, onde todos os cidadãos têm seu papel,
suas virtudes e seu lugar dentro do todo. A paz, assim, se torna uma ordem
profunda, que abrange tanto o colectivo quanto o individual, e que se
estabelece quando os desejos pessoais são subjugados ao bem colectivo.
Filósofos como Epicuro e os
estóicos compreenderam que a paz não depende unicamente do mundo exterior, mas
da capacidade do indivíduo de controlar suas paixões e suas reações. A
verdadeira paz interior, para esses pensadores, nasce do autoconhecimento, da
aceitação da finitude humana e da prática da virtude. Para os estóicos, por
exemplo, a paz era uma atitude diante do inevitável caos da vida, uma
tranquilidade que só seria possível ao se cultivar a indiferença às coisas que
não estão sob nosso controle.
Nos tempos modernos, filósofos
como Immanuel Kant reflectiram sobre a paz sob uma óptica mais política e
cosmopolita. Em sua obra “Para a Paz Perpétua”, Kant argumenta que a paz
duradoura entre as nações depende da constituição de um sistema de leis universais
e de uma federação de estados que respeitem os direitos humanos e a autonomia
de seus povos. Para ele, a paz não é algo que ocorre por acaso, mas um ideal a
ser perseguido por meio da razão, da ética e da cooperação internacional. A
paz, assim, se torna um projecto ético que exige a participação activa de
todos. Entretanto, há uma tensão filosófica intrínseca sobre o que é necessário
para se alcançar a paz. A paz pode ser entendida como algo passivo, um estado
de ausência de conflito, ou como um processo activo, que envolve transformações
profundas nas estruturas sociais e na maneira como nos relacionamos com os
outros e conosco mesmos.
Por fim, talvez a maior licção
filosófica sobre a paz seja a sua natureza paradoxal: ela nunca é definitiva ou
simples. Ela exige tanto a força de lutar por ela quanto a sabedoria para
reconhecê-la em sua fragilidade. A paz verdadeira não é, neste context, apenas
a quietude do corpo ou da nação, mas a serenidade da mente e a harmonia do
espírito. Portanto, a paz, em última instância, não é um destino, mas uma
prática constante, um compromisso com o bem viver, tanto no nível individual
quanto colectivo. E, como todo grande valor humano, ela precisa ser cultivada
todos os dias, por isso a necessidade de os moçambicanos reconhecerem a
importância da urgente eliminação dos actos violentos que desconfiguram o que
deveria definir os moçambicanos: a união e coesão social.
AFINAL,
QUAIS PODEM SER TIDAS COMO ALTERNATIVAS PARA A CONSTRUÇÃO DA PAZ EM MOÇAMBIQUE?
O País encontra-se numa fase crítica,
porquanto precisa reformular a convivência social e unir os moçambicanos. Para
tal, penso que seria essencial inserir reformas institucionais, promover diálogos
intercomunitário, garantir a justiça restaurativa e reparações, ou seja, onde houver
violência eleitoral, mecanismos de justiça restaurativa devem ser
implementados. Isso inclui comissões de verdade e reconciliação, como as
realizadas na África do Sul, para promover a responsabilização e a
reconciliação entre grupos.
Na mesma abordagem, seria
importante que houvesse uma educação política, para reduzir a manipulação
eleitoral baseada em etnicidade ou desinformação. Precisamos de um
desenvolvimento económico inclusive, adopter práticas de observação eleitoral
internacional e regional séria, garantir lideranças focadas em soluções,
campanhas para a reconciliação dos moçambicanos, assim como anteceu na África
do sul (1994) no período pós apartheid, Quénia (2008), com a implementação do
governo de coalização, etc.
É inquestionável que não
chegaremos a paz se não optarmos pelo diálogo, garantia do exercício da
cidadania, ombate a desinformação e inclusão dos grupos socialmente
marginalizados. Neste rol de ideias, creio que seja fundamental criticar o
comportamento dos meios de comunicação social e defender que os media deveriam
informar para a paz e para a reconstrução social, sem deixar de fora os
elementos que justificam as lutas travadas por uma sociedade que se considera
oprimida, injustiçada e que almeja por melhorias de condiçõs de vida.
Maputo, 19 de Dezembro
de 2024
Numa procura pela paz e
coesão social.
[1] Sérgio
dos Céus Nelson é Escritor premiado (2009), Jornalista Premiado no Brasil,
pelo trabalho em prol de Direitos Humanos (2015), Embaixador Mundial da Paz
pela Global Peace Chain (New York), Pesquisador com participação em cadernos
científicos, Licenciado em Jornalismo pela Universidade Eduardo Mondlane e
Mestrando em Relações
Internacionais e Desenvolvimento, com Especialidade em Política Externa, na
Universidade Joaquim Chissano.

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